Vaidade
Maldito cheiro ao vento a adoecer
Que espero ao menos adubo servir
A qualquer flor que se sujeite brotar
Sobre mim, pobre de mim, meu eu
E por aí me tragar em qualquer gole
Beber mais de mim do que do copo
Assim de alma morta em pouco corpo
Para educar-me na mais útil tristeza
Que minha vaidade barganha a mim.
Escrito por Éden Vaz às 15h30
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Qualquer Poesia
Sou imbecil como qualquer poeta
E não por invejar estes imbecis
Mas por tentar escalar as águas
E abraçar o vento sem os braços
Perder a noite ouvindo o silêncio
Como se houvesse algo a ouvir
Procuro qualquer média metáfora
Para enterrar-me em jocosa aporia
E assim tentar traduzir-me, tolo que sou
Em confusão, sonho e meia-ação
Daí, rezo todos os malditos dias
Para inspirar-me qualquer outro verso
Qualquer poesia.
Escrito por Éden Vaz às 15h25
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Chocalho
Ah, mas sou tão pobre de luz
Que me guardo em rebanho
Sou veneração a qualquer alma
Que se faça meu bom pastor
Sou assim de conhecer vento e Sol
Dou-me à mão das estações
E me largo ao fundo das planícies
Como o ruído ao chocalho
Sou crédulo por sentir tanto frio
Frio ao dormir, frio ao acordar
Empresto-me a qualquer realidade
Que faça-me de nada à encanto.
Escrito por Éden Vaz às 15h05
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Páginas em Branco
Componho páginas em branco Lágrimas que não se enxugam Versos que se movimentam no silêncio Tenho olhos abertos ao vazio
Sinto qualquer transcrever
Com qualquer palavra calo o mundo E espero a vida esperar-me Crio na criação um ato de criar E torno este mundo imagem imóvel
Transcrevo qualquer sentir
Então por polifonia e cacofonia Traduzo minhas páginas em branco Sou poeta de 10 olhos e 1 coração E só desperta-me prazer páginas em branco.
Escrito por Éden Vaz às 20h48
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Apresente-se
E então hoje cansei-me de mim E traguei-me no nome de Deus Mas que deus? Quem ousa chamar-se Deus? E, ainda assim, de letra maiúscula Nem sequer apresenta-me o nome E diz-me pelo nome de outros Ser meu sumo chefe, meu sumo patrão Sem sequer apresentar-se, ou dizer “oi” Fica por aí, à pura zombaria Como se tivesse eu que interpretar os lábios do vento
E ainda, mesmo assim, educado que sou... Como versa a etiqueta resolvi apresentar-me:
“Olá, prazer, sou Éden e só Éden.”
Ora,mas tu, então, que chama-te (D)deus És de tão pouca educação que nem sequer apresenta-te?
Escrito por Éden Vaz às 20h38
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Condessa de Sangue - I
E lá estava ela aos redores do castelo A correr entre as festividades de 1566 Tinha 6 anos a bela e jovem húngara Quando viu a morte pela primeira vez.
Junto aos tantos ciganos contratados Um velho cigano a divertir a platéia A ser julgado pelos soldados do reino Por traficar crianças com gente atéia.
O cigano foi condenado à tarde E durante a noite foi executado.
A execução consistiu em prender o tal velho Dentro da barriga costurada de um cavalo Lá permaneceu até a morte no animal moribundo Como um simbionte num organismo hostil.
Elizabeth estava lá a olhar entre as frestas.
Escrito por Éden Vaz às 20h22
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Na Pele
Meus lábios cicatrizaram sob o Sol Contornei contigo uns velhos traços Martelei-me os dentes para matar-me a fome E então secar-te nas lágrimas que secaram-me os anos.
Transcrevi-te na pele aos 17...
E mergulhei no calor de setembro Barganhei aqui os mais cínicos risos Pobres risos indecentes de se mastigar a boca Para no final compartilhar contigo qualquer solidão.
E a alma queima... Tanto de arder que corrói os ossos.
Escrito por Éden Vaz às 13h15
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Emoções Doentias
Largos olhos vermelhos Pequena dádiva do desespero Eu poderia tragar tua angústia Injuriada em teu leito
Dores alargam meu réquiem Afago sufoca-me a respiração Tristeza não mostra-se aquém ou além E ainda assim, não sinto qualquer equilíbrio
Emoções doentias…
Escrito por Éden Vaz às 21h54
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Fruto & Flor
Sou fruto infeliz de belo lar Flor solitária dos pântanos Sou quem gritou ao nascer E vi em mim quem já existia Quem talvez pouco queria Ser incomodado por mim Porque nem importa-me ser infeliz Tão pouco importa-me ser solitário Coisa triste é ser fruto e flor E nem sequer ter mais raízes.
Escrito por Éden Vaz às 00h59
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O Monstro dos Andes - I
E hoje... Hoje falaremos sobre Pedro Pedro Alonso Lopes Mas falaremos de “um” Pedro Alguém talvez pouco conhecido Enquanto só e apenas Um mero garoto.
Este Pedro... Nasceu em 8 de outubro de 1948 Era de Santa Isabel Cidade situada no Estado de Mariño No sudoeste colombiano Pedro Alonso era filho de prostituta Morou em Tolima Infância difícil.
Nos dias normais... Sua mãe fazia-o mendigar E, às vezes, Conforme fosse sua noite Roubar algum qualquer incauto turista Até que aos 8 anos Pedro apanhou.
Por ironia... Apanhou ao acariciar o seio desnudo da irmã E sua mãe indignada Talvez por pura tragédia ou pretexto Puxou-lhe pelo cabelo Arrastou-lhe até os limites da cidade E expulsou-o de casa Pedro tinha 8 anos.
Apesar de tanto Pedro nesta noite ainda voltou E como de velho costume Dormiu na enferrujada cama de ferro Ao lado de seus doze irmãos Enquanto a mãe atendia alguns clientes Atrás da cortina.
Velha cortina... Cortina bastante grande e colorida Sua mãe atendia de corpo inteiro nu E após uma noite lucrativa Jogou-lhe num carro pela manhã Que levou-o até Guadalupe Distrito aproximadamente 350 km ao Sul Pedro sequer sabia.
E expirado seu bilhete Foi largado numa praça Aos oito anos Pedro vagou por aí Vagou sem destino Por horas e mais horas Até que ao entardecer alguém o acolheu Seu acolhedor era pedófilo
E Pedro foi por muitas... Por muitas e muitas vezes violentado E sempre, sempre lembrava Lembrava da irmã Sempre desnuda da cintura para cima... Lembrava da mãe Sempre desnuda da cintura para baixo...
Escrito por Éden Vaz às 14h10
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O Que Não Digo... Se eu soubesse escrever Assim como esses grandes poetas Não escreveria nada Ou melhor, só escreveria na água Porque não sei dizer com palavras E o que sinto é indizível O que faz-me só borrar papel E borrão algum costuma ser belo... É como lágrima sem contexto Infeliz não triste.
Escrito por Éden Vaz às 07h12
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Lágrimas do Lago Falarei sobre Leslie Mahaffy Uma jovem e bela garota Vivia em Burlingtom, Ontario, Canadá Leslie estaria com quase 15 anos Quando ao chegar em casa após uma festa Descobriu as portas de casa trancadas pelos pais Mas Leslie achou-se com sorte Ao encontrar um simpático e educado rapaz Que ofereceu-lhe uma ajuda Seu nome era Paul Bernardo Paul puxou-lhe uma faca e jogou-lhe no carro Ele levou a jovem até sua casa Leslie acabou trancafiada Era filmada 24 horas por dia Viveu o inferno por duas semanas Até que no final foi morta Por pura ironia Paul casou-se com Karla No mesmo dia em que encontraram o corpo de Leslie Esquartejado em blocos de concreto Jogadas as partes num lago. Assassinos nem sempre estão em evidência.
Escrito por Éden Vaz às 13h55
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Himalaia Ah... Queria morar lá no Himalaia E viver de vento Viver de algum vento e de neve Viver só de mim Porque aqui... Aqui tem tanta gente Que até ando perdendo a vista E de tanta luz morta O meu mundinho fica triste Que já não posso nem sonhar Que há um cretino a me acordar Aí eu tenho que ficar assim Fingindo de morto. Ah... Queria viver no Himalaia E sonhar, sonhar, sonhar só um pouquinho.
Escrito por Éden Vaz às 22h00
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Sobre Mim Tenho o péssimo hábito de não chorar E por algumas vezes, filosofar em demasia E o que também odeio é lamuriar-me E se digo algo acerca de mim, ah, mas digo sempre coisas boas. E como sempre perguntam de mim Sempre coisas boas hão de ouvir essas pessoas Um ou outro me chama de arrogante E não que eu não seja, mas enfim, sou daqueles de odiar modéstia. Mas ontem, Ontem vieram a mim chamar-me de doido Dizer-me que não vejo eu o quanto sou falastrão Mandei-os para longe esses miseráveis E afinal, sou culpado por não ter pudores em abençoar-me? E eu odeio é quem se martiriza Se martiriza por pena e por qualquer quase-elogio Se quero elogios basta eu próprio elogiar-me E, visto que olho-me no espelho, não há nenhuma necessidade. Mas enfim... É tanta gente morta de espírito Que só vejo caveiras acenando.
Escrito por Éden Vaz às 14h16
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Riso de Tolo O que quero eu é pouca coisa Quero só o meu direito de estar triste Sem qualquer chato para tentar consolar-me Assim, como se eu que fosse doente... Porque, afinal Já há tanta alegria no mundo Que quero só reservar-me algumas lágrimas Para quando eu realmente entristecer-me Não estampar um sorriso como se nada acontecesse... E não permitir ninguém roubar-me o riso. Mas hoje em dia, pobre de mim... Se fico um pouquinho triste sou doente Se fico um pouquinho sério tenho qualquer problema E que seja qualquer um, unzinho qualquer... Porque, afinal Nem posso mais indignar-me Que me sinto como velho rabugento no circo Ah, e como me deixa triste não poder entristecer-me Sem algum chato para alegrar-me... E tentar roubar-me o riso como se houvesse algo engraçado.
Escrito por Éden Vaz às 11h10
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